ESPIRITUALIDADE NOS NEGÓCIOS
Por que as empresas estão tristes?
01/01/08
A falta de tempo diminuiu o afeto. A necessidade de cumprir metas aumentou a pressa. O desejo de ter sucesso faz com que as pessoas sacrifiquem até a própria saúde. Nesse primeiro MESA DE NEGÓCIOS do ano, decidimos trabalhar um tema nada tradicional se comparado aos abordados durante todo o ano, como recursos humanos, tecnologia, estratégias, finanças, marketing e outros. Falamos sobre espiritualidade no mundo dos negócios, com o convidado Padre Geovane Marques. Ele é formado em teologia e filosofia e tem especialização em gestão estratégica da comunicação. Além das atividades religiosas, encontrou tempo para se tornar um comunicador na TV Horizonte.
A primeira pergunta respondida pelo padre foi: por que as empresas estão tão tristes? Na visão de Padre Geovane, as organizações têm se esquecido de que trabalham com pessoas. E que cada uma delas possui desejos, sonhos, comportamentos próprios e diferentes um dos outros. “No ambiente de trabalho, as pessoas vivem uma certa angústia competitiva”, comentou.
Mas, para trabalhar a espiritualidade nas empresas, é preciso trabalhá-la primeiro no âmbito da pessoa enquanto ser humano, ou seja, o relacionamento da pessoa com Deus, lembrou o padre. “A falta de Deus na vida do ser humano pode prejudicar também a carreira”, afirmou. E, segundo o padre, muitas pessoas têm abandonado Deus nessa caminhada. A recuperação desse relacionamento com o consagrado, termo utilizado por ele ao se referir a Deus, pode ocorrer através do encontro de cada um consigo mesmo, quando a pessoa poderá entender seus limites, desejos, aquilo que é capaz de fazer... “Se não for assim, ela não conseguirá estipular metas, planejar, e alcançar”, alertou.
No lado empresarial, a pessoa que tiver essa consciência e espiritualidade, poderá galgar novas oportunidades na carreira. Em contrapartida, de acordo com o padre Geovane, as organizações que souberem considerar o aspecto da espiritualidade como uma forma de agregar valor à gestão dos negócios, conseguirão fazer com que cada profissional leve para a própria vida a mesma missão da organização.
Vale lembrar que a busca desse relacionamento é uma forca extra e única, além de gratuita, lembrou o padre. “Não importa o tamanho da empresa, se a pessoa é líder ou liderada...”, disse.
Uma forma que algumas empresas têm encontrado para alimentar o lado espiritual dos seus funcionários é através da criação de um espaço dedicado ao encontro com Deus. A TV Horizonte, por exemplo, criou uma sala que pode ser freqüentada por todos os colaboradores, a qualquer momento, e garantir um momento de respiração mais profunda, de reflexões. “É um espaço sagrado, um encontro de mim comigo e com o consagrado”, reafirmou.
Ao contrário de uma estratégia empresarial, o relacionamento brota em todas as esferas. A mudança ocorre na vida das pessoas enquanto seres humanos, nas relações sociais, familiares... “Grandes lideranças no mundo ficaram marcadas por
por algo muito simples: se colocaram a serviço do outro, e foram humildes. “Jesus Cristo é um exemplo claro disso”, garantiu o padre Geovane Marques.
Foto: Mariana Neto