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Gestão de Pessoas
Competição interna nas empresas

Milton de Oliveira durante entrevista à jornalista Inácia Soares

COMPETIÇÃO NAS EMPRESAS

Competição atrapalha desempenho da equipe

11/11/08

Vamos examinar duas situações concretas: um time de vôlei e uma orquestra sinfônica. Imagine os atletas e os músicos competindo entre si, cada um querendo aparecer mais que os outros. Evidentemente, seria um desastre, pois cada um depende do outro para ter um bom desempenho.
Nenhum atleta ou músico consegue desempenhar suas tarefas sem contar com a participação do colega.

O mesmo acontece com as equipes dentro das empresas. Quanto mais integradas elas forem, melhores serão suas chances de sucesso. Entretanto, existe, nas organizações, uma visão tradicional, e errada, que defende a competição como fator de motivação. Os empresários e gestores que pensam assim acham que, quanto mais os colegas competirem entre si, melhor será o resultado da empresa.

Quem pensa assim está enganado. A competição interna é uma perda inútil de energia produtiva. Em uma economia de mercado competitiva como a nossa, quem ganha com a competição interna é o seu concorrente.  Eu sei que muitos vão discordar de mim. Não serão os primeiros, pois ouço isso há muito tempo. Em 30 anos de carreira atuando como consultor, já tive a oportunidade de mostrar a muitos empresários e executivos que estimular a competição interna mais atrapalha do que ajuda.  Mas, claro, que tem muito São Tomé por aí: tem que ver pra crer e, num futuro próximo, acaba vendo no fiasco que essa competição interna vai gerar.

Quer saber de onde eu tiro essa minha certeza? Dos meus estudos e práticas como psicólogo empresarial e também da história. Quando analisamos nossa origem greco-romana vemos que vem de lá a nossa mania de lutar pela vitória. Só o primeiro lugar importa. Queremos ser o melhor aluno da turma, o melhor vendedor, o melhor atleta, o homem ou mulher mais bonitos ou mais educados...

Uma das maiores causas do estresse das pessoas atualmente é essa nossa mania de competição. A todo instante somos incentivados a competir
e ainda tem gente que se recorre ao Darwin para justificar esse argumento, já que o cientista teria dito que da competição entre as espécies só iriam sobreviver os mais fortes, promovendo uma espécie de seleção no ambiente. Foi daí  que surgiu a teoria do Darwismo Social.

Mas, assim como eu, muitos biólogos, cientistas sociais e pensadores contemporâneos negam que a competição entre as pessoas leve a um bom resultado, pois a evolução dos animais e da nossa sociedade se deu pela co-evolução das espécies e dos grupos sociais. Nenhuma espécie ou ser humano se desenvolveu isoladamente.

Na natureza, ao contrario do que pregava Darwin, existe uma harmonia entre predados e predadores. Se um deles desaparecer, ocorre um desequilíbrio ambiental. O predador que era tão forte tende a também desaparecer. Em biologia contemporânea existem surpreendentes estudos mostrando a interdependência das espécies na longa cadeia evolutiva.

Se você também acha que sua equipe precisa competir entre si para que o negócio melhore, você não está sozinho. Mas não se sinta confortável nesta posição, pois eu te garanto que esse jeito de pensar não vai deixar boas marcas nas pessoas, e conseqüentemente, no seu negócio.

Competir significa ganhar de alguém. Na competição alguém vai ganhar e alguém vai perder. Os ganhadores ficarão com os louros e os perdedores com o sentimento da derrota. Uns ficarão com a alegria e outros com a tristeza. Nunca vi, na minha longa trajetória organizacional, equipes de sucesso com alguns membros fracassados.

Nos esportes individuais os atletas ganham sozinhos, mas em atividades por equipes todos os membros são importantes. Essa é a dinâmica das empresas. Todos devem ser incentivados a participar do sucesso de sua equipe e também se sentir um vencedor! Não se esqueça: devemos usar nossa energia para vencer nossos concorrentes. Se você usar essa energia para as competições internas, já vai chegar exausto dentro de campo.

Foto: Mariana Neto

 
 
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