PROFISSIONAIS BRASILEIROS NO EXTERIOR
Qual a vantagem do jeitinho brasileiro
04/11/08
Quais as dificuldades e vantagens do brasileiro que trabalha em outros países e que costuma adotar o famoso jeitinho brasileiro na hora de solucionar as demandas do dia-a-dia? Fizemos essa pergunta a dois profissionais que atuam muito em outros países. Em entrevista à jornalista Inácia Soares, o engenheiro Ricardo Vargas, disse que o brasileiro leva um grande diferencial para as empresas estrangeiras. Vargas se lembra da primeira vez em que ele mesmo chegou aos Estados Unidos: “A gente sempre chega lá com o natural sentimento de inferioridade, você se sente pequeno por tudo o que ouve falar sobre aquele país”. Especialista em analisar o risco de projetos, Vargas trabalha para empresas de vários segmentos, dentro e fora do Brasil. Já está acostumado a fazer palestras em inglês e não se intimida com platéias de outras nacionalidades e percebe os diferenciais que ele leva na bagagem. “O Brasileiro é muito bom. Tem uma força de trabalho invejável. Quando um brasileiro vai para o exterior ele só pensa em trabalhar, é uma cartada pra vencer”, afirma.
Em plena crise financeira internacional, Ricardo Vargas acompanhou várias discussões entre s profissionais com os quais trabalha em empresas americanas. Estupefatos diante do arrocho financeiro, jamais visto desde a depressão de 1929, o engenheiro disse que os norte-americanos estão perdidos, sem rumo. “Eles me perguntaram se eu não estava apavorado e eu disse que não, pois estamos acostumados, no Brasil a ter crises de tempos em tempos. O norte-americano não está acostumado com isso”, ri. Mas o lado negativo desse jeitinho brasileiro aparece na mania de improvisar, segundo o especialista. “O brasileiro tem uma habilidade de improviso que é incrível. Se ele tem um fusquinha, basta usar um arame que ele resolve qualquer problema de mecânica. O problema é que o arame jamais sai de lá. O improviso vira regra, e isso fora do Brasil fica ruim”. Improvisar em momentos de crise é bom, mas em tempos de calmaria, é preciso planejar, alerta Ricardo Vargas.
Não importa em qual país do mundo o brasileiro está, por onde passa, ele deixa marcas. Para o engenheiro Ricardo Perrone quando o jeitinho brasileiro é bem dosado, ele pode ajudar sim. Se usado em excesso, atrapalha o desempenho na carreira. Com experiência de quem já trabalhou em vários países, ele garante que a falta de inibição típica dos brasileiros tem suas desvantagens. “A intimidade, muitas vezes, é percebida como invasão. O brasileiro já conhece uma pessoa e vai logo contando sobre sua vida”, analisa Perrone. Por outro lado, a extroversão tem lá suas vantagens: “O profissional brasileiro tem duas outras qualidades que são a criatividade e o improviso. Na Europa, então, vale muito, pois os brasileiros sabem contornar problemas com facilidade”. Mas, quem vive de improvisar as soluções, também pode dar a impressão de ser um profissional menos capacitado, alerta o consultor: “Quando o profissional utiliza isso como uma ferramenta de agilidade, ele é bem percebido. Se usa com muita freqüência ele se desgasta”.