A EQUIPE PRECISA INOVAR?
Especialista alerta: medo de errar inibe criatividade dos profissionais
09/12/08
As empresas precisam inovar. Essa é uma realidade. Para fazer frente aos concorrentes – sendo que a maioria deles está oferecendo preços bons e produtos de ótima qualidade, só mesmo, surpreendendo o mercado com novidades é que se consegue vender mais, e lucrar mais. Até a alguns anos, as empresas sempre optaram por montar seus departamentos de P & D (pesquisa e desenvolvimento) cujo desafio era criar produtos e serviços inovadores.
A necessidade de inovar, no entanto, tem exigido que todos os departamentos da empresa passem a adotar seus próprios processos de inovação. Mas o que poderia ser uma oportunidade para os profissionais se torna uma tortura nas empresas onde o clima organizacional não favorece a criatividade. Se o funcionário tenta propor alguma mudança, e ela dá errada, ele é punido. Se não é oficialmente, pelo menos ele passa a ser marginalizado nas próximas oportunidades. Dessa forma, há uma grande probabilidade de que ele não tente novamente. Como fazer para inovar, sem ter medo de errar? Esse foi o assunto da entrevista dessa edição com o consultor de empresas especializado em gestão de pessoas, o psicólogo e mestre em criminologia - Milton de Oliveira.
Segundo Milton, para se criar, é preciso correr risco. Mas, atualmente, as empresas trabalham em um clima tão tenso, que as pessoas preferem não se arriscar. “Se você tem, por exemplo, um gerente que é tenso e muito crítico, e ele acredita que somente ele é bom no que faz, causa tensão nas pessoas, e isso não ajuda na criatividade”, alerta. Já o gerente menos crítico e mais aberto permite que as pessoas lancem suas idéias.
Alguns líderes já se abriram para essa necessidade de ouvir o colaborador e deixá-lo à vontade, porém, ainda assim, muitos profissionais ainda resistem a criar e não aproveitam essa abertura. Neste caso, segundo Milton, o problema vem do próprio colaborador. Para quebrar esse bloqueio, o consultor sugere, primeiramente, sensibilização por parte da empresa. Em um segundo momento, a atitude deve vir do próprio funcionário, principalmente se a função em que se encontra exige criatividade. “Aí ele também tem que se esforçar para melhorar a competência”, afirma.
Milton explicou que o medo de errar da tradição autoritária, que sempre colocou a questão da ordem e da disciplina, da autoridade, com muita força desde a infância.
Para liberar as pessoas dessa carga negativa da infância, o psicólogo garante que é preciso estimular a afetividade e a emoção das pessoas, seja com jogos, exercícios, desenhos. Mas ele alerta: cada grupo é um grupo, por isso, é preciso realizar trabalhos de forma personalizada.
Para aqueles que têm idéias brilhantes, mas não conseguem expô-las, uma saída é estimular as pessoas a falarem, a discutirem, a se mostrarem. “O crescimento é visível”, afirma Milton de Oliveira. “E o grupo tem que ajudar, porque ninguém consegue crescer sozinho”, complementa.
Mas, além de estimular a criatividade, as empresas também têm que aprender a lidar com os erros, que são inevitáveis. Normalmente, o líder pune e discrimina que erra. Para evitar esse tipo de atitude, o ideal é fazer com que a pessoa aprenda com o erro. “Em vez de mostrar como a pessoa errou, tem que mostrar o que ela deveria fazer para acertar”, conclui.
Foto: Mariana Neto